Sua escada marinheiro está adequada à nova NR-35?
Por: DFIX - 24 de Setembro de 2026
As escadas fixas verticais, popularmente conhecidas como escadas marinheiro, são utilizadas em diversos ambientes para acesso a coberturas, reservatórios, áreas técnicas, equipamentos, telhados e outros locais elevados.
Por fazerem parte da rotina de muitas edificações, é comum que essas estruturas permaneçam instaladas durante anos sem que suas características sejam reavaliadas
Com as atualizações da NR-35 – Trabalho em Altura e a entrada em vigor do Anexo III – Escadas de Uso Individual, as empresas devem dedicar ainda mais atenção às condições das escadas fixas verticais e aos requisitos aplicáveis à sua utilização.
Mas como saber se uma escada marinheiro está realmente adequada?
O que a NR-35 estabelece para as escadas fixas verticais?
O Anexo III da NR-35 estabelece requisitos e medidas de prevenção para a utilização de escadas como meio de acesso ou posto de trabalho em altura.
Entre os requisitos específicos aplicáveis às escadas fixas verticais de uso individual, a norma estabelece critérios relacionados às dimensões, características construtivas, resistência às condições ambientais, segurança do acesso, sistema de proteção contra quedas e projeto da estrutura.
Isso significa que avaliar uma escada marinheiro vai muito além de verificar se ela está aparentemente firme ou se os degraus estão em boas condições.
É necessário considerar o conjunto da instalação e as condições em que essa escada será efetivamente utilizada.
Quais características devem ser observadas?
Para as escadas fixas verticais abrangidas pelos requisitos específicos do Anexo III, a NR-35 determina parâmetros construtivos importantes.
A escada deve, entre outros requisitos:
- quando instalada externamente, ser construída com materiais resistentes às intempéries;
- possuir largura entre 0,40 m e 0,60 m;
- apresentar espaçamento entre degraus entre 0,25 m e 0,30 m;
- possuir corrimão ou continuação dos montantes ultrapassando o piso superior ou plataforma de descanso, com altura entre 1,10 m e 1,20 m;
- manter distância mínima de 0,15 m da estrutura onde está fixada ;
- possuir Sistema de Proteção contra Quedas (SPQ), observadas as disposições aplicáveis da NR-35;
- possuir projeto elaborado por profissional legalmente habilitado, considerando dimensões, resistências, segurança dos acessos e o sistema de proteção selecionado.
Esses parâmetros mostram por que uma escada aparentemente bem conservada pode, ainda assim, apresentar incompatibilidades com os requisitos normativos atuais.
O acesso e o desembarque também fazem parte da segurança
Um ponto que merece atenção especial é que a segurança não termina nos degraus.
As condições de entrada na escada, subida, transposição e desembarque no nível superior também precisam proporcionar condições adequadas para o trabalhador.
Uma escada pode possuir estrutura resistente e boas fixações, mas apresentar riscos no momento em que o trabalhador precisa acessar ou deixar a escada.
Por isso, elementos como continuidade dos montantes ou corrimãos, área de circulação, interferências existentes e condições do desembarque devem ser considerados na avaliação.
A própria NR-35 determina que o projeto da escada considere não apenas dimensões e resistências, mas também a segurança nos acessos.
Escadas com mais de 10 metros exigem atenção adicional
A altura total da escada também interfere em seus requisitos.
O Anexo III estabelece requisitos específicos para escadas fixas verticais com mais de 10 metros de altura , incluindo a utilização de plataformas de descanso.
Por isso, ao avaliar uma instalação, não basta considerar somente largura e espaçamento dos degraus. A configuração completa da escada, sua altura e a forma como ocorre o acesso entre os diferentes níveis também precisam ser verificadas.
E o sistema de proteção contra quedas?
O Sistema de Proteção contra Quedas é outro elemento importante na adequação das escadas fixas verticais. Entretanto, esse assunto exige uma análise própria.
Especialmente no caso de determinadas escadas já instaladas , a regulamentação estabelece critérios específicos envolvendo análise de risco e a compatibilidade da instalação do Sistema de Proteção Individual contra Quedas (SPIQ). As alterações promovidas em 2026 também trouxeram novos critérios para essa avaliação.
Portanto, não é adequado concluir apenas visualmente que determinada escada precisa ou não de uma linha de vida.
Esse será justamente o próximo tema da nossa série: quando a escada marinheiro precisa de sistema de proteção contra quedas e como essa necessidade deve ser avaliada.
Uma escada antiga precisa ser substituída?
Não necessariamente. Esse é outro ponto importante para evitar interpretações equivocadas da atualização normativa.
Existem regras de transição aplicáveis às escadas fixas verticais já instaladas e a determinados projetos existentes na entrada em vigor das novas disposições. A Portaria MTE nº 1.259/2026 também estabeleceu critérios e prazos relacionados à implementação das análises de risco.
Por isso, a existência de uma escada antiga não significa automaticamente que toda a estrutura deverá ser removida e substituída.
Antes de qualquer intervenção, é necessário conhecer as características da instalação e identificar quais requisitos são aplicáveis àquela situação.
As particularidades das escadas fixas verticais já instaladas serão abordadas em outro artigo desta série.
Como saber se sua escada está adequada?
A avaliação deve considerar a escada como um sistema completo. Dimensões, estrutura, fixações, condições dos degraus, resistência dos materiais, acesso superior e inferior, desembarque, altura, interferências existentes e medidas de proteção contra quedas são alguns dos aspectos que podem influenciar a segurança da utilização.
Além disso, modificações realizadas na edificação ao longo dos anos podem alterar uma instalação que originalmente apresentava condições adequadas.
Tubulações, equipamentos, novas estruturas, fechamentos ou alterações no ponto de desembarque, por exemplo, podem interferir no acesso e criar novos riscos.
É justamente por isso que uma avaliação técnica é importante: a conformidade não deve ser determinada apenas pela aparência da escada.
Adequação deve considerar as condições reais da instalação
Cada edificação possui características próprias. Uma solução adequada para uma indústria pode não ser a mesma necessária em um condomínio, cobertura técnica, reservatório ou área de manutenção.
Por esse motivo, antes de realizar alterações, instalar novos componentes ou substituir uma escada existente, é importante avaliar as condições reais do local e os requisitos aplicáveis.
Além de contribuir para o atendimento às exigências normativas, essa avaliação permite identificar situações que podem comprometer a segurança dos profissionais que utilizam a estrutura.
Como a DFIX pode auxiliar?
A DFIX Projetos e Soluções atua na avaliação, inspeção e adequação de sistemas destinados aos trabalhos em altura, incluindo escadas fixas verticais, sistemas de proteção contra quedas, linhas de vida e sistemas de ancoragem.
A partir da avaliação das condições existentes, é possível identificar eventuais não conformidades e definir tecnicamente as medidas necessárias para adequação de cada instalação.
Sua empresa possui escadas marinheiro e não sabe se elas atendem aos requisitos atuais da NR-35? Entre em contato com a DFIX Projetos e Soluções para uma avaliação técnica.