Sua empresa possui escadas fixas verticais já instaladas? Entenda o que muda com a NR-35
Por: DFIX - 20 de Agosto de 2026
Com as alterações recentes da NR-35 – Trabalho em Altura, muitas empresas que já possuem escadas fixas verticais — popularmente conhecidas como escadas marinheiro — passaram a ter dúvidas sobre a situação das estruturas existentes.
Uma das principais é: uma escada instalada antes das novas regras precisa ser imediatamente substituída ou modificada? A resposta não é simplesmente sim ou não.
A Portaria MTE nº 1.259/2026 estabeleceu critérios e regras de transição para escadas já instaladas e também para determinados projetos que estavam aprovados, contratados ou em execução quando a nova regulamentação entrou em vigor.
Por isso, antes de substituir uma estrutura ou iniciar qualquer adequação, é importante entender em qual situação a escada se enquadra e quais medidas são efetivamente aplicáveis.
Tenho uma escada marinheiro antiga. Preciso substituí-la?
A existência de uma escada fixa vertical anterior às novas disposições não significa, por si só, que toda a estrutura precise ser retirada e substituída imediatamente.
As organizações devem observar as regras de transição estabelecidas para as escadas já instaladas e para os projetos que, na data de entrada em vigor da Portaria, já estivessem aprovados, contratados ou em execução.
Isso é importante porque muitas empresas possuem dezenas — e, em instalações industriais maiores, até centenas — de escadas implantadas ao longo dos anos.
A adequação deve começar pelo conhecimento da situação existente, e não simplesmente pela substituição indiscriminada das estruturas.
A documentação das escadas existentes ganhou ainda mais importância
Outro ponto importante da regulamentação é a necessidade de comprovação das situações abrangidas pelas regras de transição.
Nos casos aplicáveis, a organização deve manter documentação que comprove as respectivas datas, para apresentação à Inspeção do Trabalho quando necessário.
Por isso, empresas que possuem escadas fixas verticais devem organizar e preservar documentos relacionados às instalações e aos projetos existentes.
Esse cuidado permite demonstrar a condição da estrutura perante as regras de transição e facilita futuras avaliações técnicas.
As escadas existentes precisam passar por análise de risco?
A atualização da NR-35 determina que a utilização das escadas fixas verticais como meio de acesso seja precedida de análise de risco.
Essa avaliação deve considerar aspectos como a finalidade da escada, frequência de utilização, características construtivas e condições de uso.
Um ponto importante é que essa análise não precisa necessariamente ser realizada de maneira isolada para cada estrutura.
Quando houver um conjunto de escadas pertencentes à mesma unidade operacional, setor ou atividade e elas apresentarem características e condições de utilização semelhantes , a análise poderá abranger esse grupo.
Isso pode ser especialmente relevante para indústrias e instalações de grande porte que possuem diversas escadas semelhantes distribuídas em suas unidades.
Quais são os prazos estabelecidos?
A Portaria MTE nº 1.259/2026 estabeleceu um cronograma para implementação das novas disposições relacionadas às análises de risco das escadas fixas verticais.
Os prazos variam conforme a quantidade de escadas existentes na unidade operacional, setor ou atividade:
- Até 500 escadas: implementação no primeiro ano;
- De 501 a 1.000 escadas: implementação no segundo ano;
- 1.001 escadas ou mais: implementação no terceiro ano.
Esse escalonamento permite que organizações com grandes quantidades de estruturas possam organizar gradualmente o processo de avaliação.
É importante, entretanto, não interpretar esses prazos como autorização para manter uma situação de risco conhecida até o término do período estabelecido. As medidas de prevenção aplicáveis ao trabalho em altura continuam fazendo parte das responsabilidades da organização.
O que deve ser avaliado nas escadas já instaladas?
Antes de definir qualquer intervenção, é importante conhecer as condições reais da estrutura.
Devem ser considerados aspectos relacionados às características construtivas da escada, condições de utilização, acessos e desembarque, estado dos componentes, interferências existentes e medidas de proteção contra quedas disponíveis.
Também é necessário considerar que uma edificação pode sofrer alterações ao longo do tempo.
Tubulações instaladas posteriormente, equipamentos, alterações na cobertura, modificações nos acessos ou mesmo intervenções realizadas na própria escada podem criar condições diferentes daquelas existentes quando a estrutura foi originalmente instalada.
Por isso, uma escada antiga não deve ser considerada adequada apenas porque continua aparentemente firme e em utilização.
E se a escada não permitir a instalação de um SPIQ?
Esse é outro ponto relevante para estruturas existentes. Nem toda instalação possui as mesmas características construtivas ou oferece as mesmas possibilidades de adequação. Por isso, a regulamentação atual considera a análise de risco como elemento fundamental para definição da necessidade de Sistema de Proteção Individual contra Quedas (SPIQ).
Quando a análise indicar a necessidade do SPIQ, a seleção, inspeção, forma de utilização e limitações de uso devem ser estabelecidas por profissional qualificado ou legalmente habilitado em segurança do trabalho.
Portanto, a solução não deve ser simplesmente adaptar um cabo ou equipamento à estrutura existente. É necessário verificar a compatibilidade da escada e definir tecnicamente as medidas de proteção adequadas.
Esse assunto foi aprofundado no artigo anterior da nossa série sobre sistemas de proteção contra quedas em escadas marinheiro.
Por onde a empresa deve começar?
Para quem possui uma ou várias escadas fixas verticais instaladas, uma boa organização inicial é realizar um levantamento das estruturas existentes.
Nesse levantamento, é importante identificar onde estão as escadas, quais são suas características, como são utilizadas, quais documentos estão disponíveis e quais condições de segurança apresentam atualmente.
A partir dessas informações, torna-se possível organizar as avaliações necessárias e estabelecer prioridades de acordo com as características e os riscos existentes.
O objetivo não deve ser simplesmente “regularizar uma escada”, mas compreender se aquela estrutura oferece condições adequadas para a utilização prevista e quais medidas eventualmente precisam ser adotadas.
Não espere uma fiscalização para avaliar suas escadas
A atualização da NR-35 trouxe novos critérios e períodos de transição, mas a principal finalidade dessas medidas continua sendo a prevenção de acidentes durante o trabalho em altura.
Antecipar o levantamento e a avaliação das estruturas permite que a empresa identifique possíveis não conformidades, organize eventuais adequações e mantenha a documentação necessária de forma planejada.
Além de contribuir para o atendimento normativo, essa postura reduz a possibilidade de descobrir problemas somente durante uma fiscalização, auditoria ou, principalmente, quando a escada precisar ser utilizada.
Como a DFIX pode auxiliar?
A DFIX Projetos e Soluções atua com inspeção, avaliação e adequação de escadas fixas verticais, além de sistemas de proteção contra quedas, linhas de vida e sistemas de ancoragem para trabalhos em altura.
Para empresas que já possuem escadas marinheiro instaladas, a avaliação técnica permite conhecer as condições existentes, identificar possíveis não conformidades e definir quais medidas são necessárias para cada instalação.
Sua empresa possui escadas fixas verticais já instaladas e tem dúvidas sobre as novas exigências da NR-35? Entre em contato com a DFIX Projetos e Soluções para avaliar suas estruturas e planejar as adequações necessárias.